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Eu cometi um aborto... Minha história

 Eu cometi um aborto... Minha história

19.04.2009  -

Eu cometi um aborto... Minha história

Eu sofro das feridas emocionais que partiram meu coração naquele dia, há dezesseis anos atrás, quando eu escolhi abortar meu bebê. Eu tinha 18 anos, era solteira e estava começando a faculdade quando descobri que estava grávida. Amedrontada e confusa, eu procurei conselho com amigas, o padre e uma clínica para mulheres. As “mensagens” que recebi deles e a falta de comunicação com minha família deixaram-me mais confusa e com medo. A clínica e as colegas apoiavam o aborto. Meu contato com o padre já estava pouco, e eu tentava na época começar uma nova vida dentro da cena estudantil. Aterrorizada com o futuro e com o “mundo real”, tomei a decisão de terminar a gravidez (se chamava assim na época), na esperança de que isso resolvesse a crise em que estava, e eu pudesse simplesmente continuar normalmente com minha vida. Entrei na clínica como uma criança assustada e saí da clínica algumas horas depois marcada por um ferida para a vida toda. Havia tantas coisas que não me disseram. Especialmente os efeitos emocionais e espirituais duradouros.

Quando a realidade do que havia feito chegou à minha consciência, voltei-me para o álcool e as drogas para amenizar a dor. Tornei-me depressiva e me enterrei nos estudos acadêmicos na faculdade. A chaga emocional e espiritual, que não procurei tratar, só aumentou de magnitude. A culpa, a vergonha, o sofrimento e o arrependimento criaram um grande “buraco negro” dentro de mim. Tentei preenchê-lo com inúmeras coisas: o casamento, as crianças, uma carreira e trabalho voluntário. Pelos dezesseis anos seguintes senti-me isolada, depressiva e ansiosa. Eu me condenava constantemente pelo que tinha feito. Eu “merecia” a punição eterna e só procurava relacionamentos abusivos, pensando que não merecia amor, honra ou respeito.

Uma espada parte meu coração cada vez que escuto a palavra “aborto”, vejo uma propaganda pró-vida, escuto uma palestra pró-vida na Missa, ou leio um artigo sobre aborto. Fico repetindo para mim mesma que sou uma assassina e me considero má por ter tirado a vida de minha criança não nascida. A dor interior tornou-se insuportável – apenas poucas pessoas sabiam – aquelas que haviam apoiado o aborto. A quem contaria isso? O que iriam dizer? Quem compreenderia a dor ou me ajudaria a enfrentar isso? Sentia-me sozinha mas também sabia que precisava de alguém. A ferida estava afetando todos os meus relacionamentos – comigo mesma, com Deus e com os outros. Eu ia para a Missa com minha família mas nunca me sentia digna de estar ali, por causa da grande culpa e vergonha.

Há esperança... Um dia folheei uma revista católica e vi uma pequena propaganda que chamou minha atenção. Era uma organização chamada Rachel’s Vineyard. Eu li o anúncio e me enchi de esperança e alegria. Era ajuda para quem sofria por ter escolhido o aborto. Levei semanas para ter coragem de pegar o telefone e ligar. Agradeço a Deus continuamente pela “Rachel’s Vineyard”, porque minha vida nunca mais foi a mesma. Tinha encontrado alguém que me compreendia e queria me ajudar a curar as feridas profundas. Encontrei aceitação, apoio e orientação. Experimentei o toque de cura do Senhor através da equipe de Rachl’s Vineyard. Com a ajuda de alguns padres maravilhosos e mulheres que também tinham passado pelo aborto e tinham curado suas feridas, iniciei minha jornada de volta a Deus. Não tem sido um caminho fácil. A recompensa da paz de espírito e de coração através da graça de Deus e da misericórdia, e uma relação renovada com Ele compensa em muito a dor da jornada.

Jornada para o perdão... A jornada incluiu: dar um nome para minha criança e estabelecer um relacionamento espiritual com minha criança nos braços de Deus. Encarar a mim mesma e aqueles envolvidos no aborto e elaborar a raiva e o ressentimento, em direção ao perdão de mim mesma e dos outros. Eu restaurei minha relação com Deus sentindo e aceitando Seu infinito amor e Sua infinita misericórdia por mim. Participei de um retiro com outras mulheres que haviam passado por um aborto e descobri que não estava sozinha em minha dor e sofrimento pela nossa condenação culpa e vergonha auto-infligidas. Juntas, encontramos a misericórdia e a compaixão infinitas de Cristo através de Seu exemplo e através de outras mulheres que passaram por aborto, conselheiros e padres. Ver outras pessoas na profunda dor que sofria moveu-me à compaixão e ao desejo de aliviar suas dores. Isso me ajudou a permitir que outras pessoas me ajudassem aliviassem as minhas dores. O fim de semana foi uma oportunidade de chorar a perda de minha criança com outras que sentiam a mesma perda. De certa forma fechei esse capítulo de minha vida através do sacramento da Reconciliação, uma cerimônia relembrando a memória dos bebês e a celebração da Missa da Ressurreição. Eu sentirei a dor agora e para o resto de minha vida, mas os fardos que pesavam sobre os meus ombros foram aliviados.

--- Jennifer

Fonte: http://vidaecastidade.blogspot.com
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