10/05/2007 - 20h33
Público variado vê Bento 16 no Pacaembu
SÃO PAULO - Índios brasileiros, fiéis latino-americanos alinhados com a Opus Dei, cristãos do Oriente Médio, vendedores de entradas ilegais, um padre cubano "chavista" e grupos de capoeira fazem parte dos jovens que receberam em São Paulo o papa Bento XVI, no estádio do Pacaembu.
Três peregrinos chilenos de Puerto Montt - um casal e um padre em vestimenta religiosa - conseguiram burlar a barreira do exército, passaram pelos jovens voluntários que recolhiam os ingressos e entraram no estádio municipal Paulo Machado de Carvalho, no bairro do Pacaembu, para o encontro "Jovem, Discípulo e Missionário de Jesus Cristo".
As entradas foram distribuídas pelas paróquias de forma gratuita entre jovens brasileiros e latino-americanos.
Na praça Charles Miller, que rodeia o estádio, cambistas ofereciam ingressos por preços que variavam de R$ 10 a R$ 200.
Grupos de música pop de religiosos da Renovação Carismática animaram a espera para os 35 mil jovens dentro do estádio. Sete jovens vestidas em amarelo - a cor oficial do Vaticano - animaram os jovens antes da chegada do Pontífice com a "aeróbica do Senhor".
Entre os presentes, estavam também uma centena de índios da etnia Tankararé, que fazem parte de um projeto social chamado Pitorama, vinculado à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
A maioria dos grupos estrangeiros vindos de vários países da América Latina, segundo comentaram seus membros na entrada do estádio, alinham-se com a congregação da Opus Dei.
Padre Zezinho, renovador carismático e um pioneiro na adaptação do evangelho com a música pop no Brasil, questionado pela ANSA sobre a presença de jovens em organizações vinculadas à Opus Dei afirmou que "os jovens, latinos ou brasileiros, querem uma voz forte que lhes dê as coordenadas. Eles gostam de liberdade, mas precisam de alguém com posição firme por trás. Podem não concordar com algumas coisas, mas se o papa é convicto, eles aceitam".
Nassin Saneh, libanês representante no Brasil da Liga Cristã Mundial, disse que "o terrorismo está dificultando o crescimento do cristianismo e os cristãos em zona de guerra estão se sentindo ameaçados".
O sacerdote cubano Osvy José Guilarte, de uma paróquia de Mauá, disse à ANSA ser pessimista m relação ao diálogo entre Cuba e Vaticano.
"Não espero uma abertura da Igreja para Cuba. O papa João Paulo II foi especialmente importante para nós (cubanos), mas não acredito que Bento 16 vá sê-lo. Ele tem posturas fechadas, muito tradicionalistas. Ao invés de andar para frente, vai andar para trás", disse Guilarte, que aguardou o encontro com Joseph Ratzinger envolto em uma bandeira venezuelana com o nome do presidente Hugo Chávez estampado
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